Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Entrevista a Marina Costa

  

Marina Costa é uma figura importante na zona de Miguel Bombarda. Compreendeu o potencial da zona e organizou dois espaços centrais: O Centro Comercial Bombarda (CCB) e o “Artes em Partes”. Por isso, fomos falar com ela, num espaço que vai ser remodelado no CCB.


Quando é que foi inaugurado e qual o conceito do CCB?


Foi inaugurado, numa primeira fase, a 26 de Maio de 2007 e depois, o que faltava, em Setembro. Tentamos ter lojas de autor, com projectos específicos, personalizados que não existam noutros centros comerciais. Gostaríamos que o CCB tivesse lojas diferentes, apenas lojas de autor; só que, infelizmente, as pessoas não têm dinheiro para estar a abrir lojas deste tipo. Mas no futuro, a ideia é cada loja ter um cariz muito pessoal.


Qual foi a ideia que esteve e está na base do “Artes em Partes”?


Na altura em que o “Artes em Pares” começou a sua actividade, já havia, cerca de 3 galerias em Miguel Bombarda. Eu gosto muito de casas velhas e decidi alugar aquela casa. Ora, a única forma de a rentabilizar era subalugar espaços. Como tinha alguns amigos que tinham projectos na Internet, ou em garagens e em casa, fui convidá-los. Tinham que ser pessoas e projectos de que eu gostasse, que tivessem a ver comigo, que tivessem a ver com o conceito do “Artes em Partes”. Acabei por juntar ali um grupo de pessoas e eles pagavam-me a renda. Mas é um negócio que é uma dor de cabeça e que não dá dinheiro. Dá muito trabalho … mais trabalho que dinheiro!


Então porque o mantém?


Toda a gente acha que O “Artes em Partes” foi uma ideia louca, um sonho meu. Eu não tive ideia nenhuma! Eu tinha um prédio e tinha que o rentabilizar para pagar a renda, para pagar os impostos! A única forma de o fazer é subalugar as lojas! Agora, a piada do “Artes em Partes”, para mim, é manter um bocado a memória do que são estas casas antigas do Porto. Aquelas casas com aquelas salinhas todas, com o jardim. Acho que é isso a mais valia daquele espaço, esse saudosismo.

É engraçado as pessoas entrarem e aperceberem-se de como é que antigamente se vivia, como é que eram as casas antigas. Assim, as pessoas mais novas vêem que as coisas antigas também podem ser mantidas e também pode haver um espaço para elas! Mas é uma casa que tem um tratamento anual de restauro e manutenção muito caro.


     


Quais são, para si, os problemas da zona de Miguel Bombarda?


Os problemas de Miguel Bombarda acabam por ser os problemas da cidade inteira. São a falta de limpeza de policiamento, de mobilidade na rua. Mas o maior problema da cidade será o facto das pessoas não saírem de casa. Temos uma geração que já tem outro poder de compra diferente das gerações anteriores. São pessoas com outras possibilidades e uma coisa que se nota é que as pessoas não saem, não querem conhecer. Agora, há exposições para as pessoas verem, há Serralves, há a Casa da Música, há milhares de coisas. No entanto, a cidade do Porto é uma cidade completamente deserta. As pessoas metem-se dentro de casa, metem-se dentro do shopping…Não percebo!


Porque acha que isso acontece? Porque é que as pessoas preferem os shoppings a esses lugares?


Eu acho os shoppings insuportáveis, não têm piada nenhuma, porque não acrescentam nada. O consumismo está na base da atitude das pessoas: o que é americano, toda a gente gosta, toda a gente adere. Já não apreciam o que é português!

As pessoas saem pouco para a rua, ao contrário do que se passa no estrangeiro. Por outro lado, investem pouco na cidade. Se gostam do centro da cidade, então usufruam do centro! As pessoas gostam das coisas, mas também não investem nelas. É como o caso do Bolhão… Todos gostam muito, são contra o que se está a passar, mas o que é certo é que ninguém faz nada! Ninguém dá um passo para mudar as coisas.


Já que os problemas de Miguel Bombarda são os mesmos da cidade, qual é o papel da Câmara Municipal?


A Câmara tem responsabilidade porque é dona de 80% dos prédios abandonados da cidade. A maior senhoria da cidade do Porto é a Câmara! Só que como não tem dinheiro para recuperar as casas e para lhes dar um fim, deixa estar as coisas como estão. Quer dizer, a baixa está deserta.


Qual é a relação da Câmara com a zona de Miguel Bombarda?


A Câmara nunca apoiou a rua das galerias. O Rui Rio disse uma coisa fantástica que foi: “Sempre que falam em cultura, eu lembro-me logo do livro de cheques!” Uma frase triste! A partir desse momento cortámos completamente as negociações que tínhamos com a Câmara.

Há também um problema que é o conflito entre os galeristas e os lojistas. Alguns galeristas acham que ter uma galeria é um negócio mais nobre do que ter uma loja. Como nunca se entendem, o ano passado, eu e a designer que fez a parte gráfica do CCB fizemos um desdobrável para promover a zona. O Fernando Santos que achou uma boa ideia e contactou com Câmara e a Porto Lazer que se mostraram interessados em alinhar. Arranjámos um patrocinador, que é a The Famous Grouse, e estamos a colaborar muito bem desde Setembro de 2007.


Foi com esta afirmação com algum optimismo que terminámos esta conversa. A continuar um dia destes!

 

artigo do grupo bombarte às 19:06
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