Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Entrevista a Fernando Santos

Fernando Santos aparece, frequentemente, como o pai da rua das galerias. Foi o primeiro a instalar-se em Miguel Bombarda, e mesmo depois de tantos anos, mostra grande entusiasmo pelo projecto da rua zona das artes. O programa das suas galerias vai desde nomes consagrados como Tapiés, Alberto Carneiro, Pedro Cabrita Reis, até aos jovens talentos.

Apesar de ser uma pessoa muito ocupada, foi mais do que disponível: entusiasmou-se a explicar-nos o processo que está por detrás da actividade de um galerista. Mostrou-nos até as áreas e as obras não acessíveis ao público. Aprendemos muito! Gostámos!

  
 

Como caracterizaria a rua de Miguel Bombarda?

 

A rua de Miguel Bombarda era, até há uns anos sem grande movimentação, rua apagada, sem comércio. Diria que, era uma rua insignificante. Há cerca de 12, 13 anos decidi mudar-me para aqui e transformei este espaço, que é agora a Galeria que tem o meu nome. Foi, naturalmente, esta iniciativa que acabou por transformar esta rua, que hoje tem cerca de 20 galerias.

 

Como é que se foi desenvolvendo esta rede de galerias?

 

Foi um processo perfeitamente natural: comecei por convidar uns colegas a expor aqui. Progressivamente, os espaços disponíveis da rua foram sendo transformados em galerias. Enfim, ao longo destes 12, 13 anos a rua Miguel Bombarda passou a ser a rua das artes contemporâneas. Tem, neste momento, uma actividade bastante interessante.

 

Existe algum projecto futuro para melhorar a zona?

 

Uma necessidade fundamental é transformar esta rua numa zona pedonal, projecto que já apresentei à Câmara Municipal do Porto. Estamos à espera que o aceitem e que o ponham em prática até 2009. Temos, todos, de fazer os possíveis para tornar esta rua mais apelativa e, por isso, estamos a desenvolver iniciativas para atrair pessoas. Temos de tornar a arte mais próxima para não ser encarada como um assunto complicado.

 

 

   

 

 

O que é que tem a dizer em relação aos outros estabelecimentos da zona para além das galerias?

 

A seguir à abertura das galerias apareceram novas alternativas comerciais de outras áreas: loja de roupa, de adereços, outras artes… Portanto, esta energia acabou por se juntar numa artéria com um forte poder comercial, cultural. É um registo alternativo!

 

E as escolas? Há alguma relação próxima com a zona?

  

Infelizmente, as escolas não têm correspondido à nossa disponibilidade. Não manifestam interesse. Há anos, promovi junto das escolas o convite às turmas de arte para visitarem as galerias. Como não obtinha resposta, fiz contactos no sentido de saber a razão: disseram que era um problema muito grande e que a escola não se responsabilizava pelas turmas que se deslocassem às galerias. Era muita responsabilidade!

Por exemplo, em França e em Espanha há uma grande aproximação das escolas às galerias que expõem o que se faz actualmente. É importante que as escolas aproximem alunos como vocês a este mundo, pois, é um mundo fantástico, o da criatividade dos artistas plásticos.

 

O que propõe?

 

A arte faz parte da vossa formação integral. Quando os alunos se deslocam a Miguel Bombarda têm a possibilidade de apreciar 20 a 25 exposições com criações diferentes umas das outras, recorrendo às mais variadas formas de expressão. E não custa nada: não é preciso pagar para entrar e nós estamos aqui para ajudar. Gostaríamos que, alunos como vocês, dentro do possível, visitassem as galerias, pois, a nossa função também é pedagógica. Desde pequeno que o meu pai me levava aos museus e isso foi decisivo para a minha formação.

Acho mesmo que é fundamental a aproximação das escolas à arte!

 

E como procuram atrair o público em geral?

 

Nas últimas 3 inaugurações estabelecemos um protocolo com o Porto Lazer: pôr música na rua, dar festas para atrair pessoas. Mas não devia ser assim! Devia haver uma forma mais fácil das pessoas frequentarem as galerias sem ser preciso música para as atrair!

 

Esta galeria tem como base divulgar novos artistas. Como vê o balanço ao longo destes anos?

 

O balanço que eu faço em relação a esta galeria é positivo, porque se não tivesse sucesso o mais certo era já ter fechado as portas há muito tempo. Mas isso não acontece! Neste momento a galeria não tem só este espaço, tem várias galerias e desenvolve várias actividades e temos parceria com outras galerias.

 

 

   

 

 

Está à frente da associação de galerias da rua? Como avalia a experiência?

 

A associação de galeristas da rua, não é fácil nem difícil: o problema é pô-la a funcionar, pois, nem sempre as pessoas estão disponíveis para dar o seu melhor! É uma associação que visa criar maior aproximação dos galeristas e assim criar outras actividades

 

Em relação ao artista que escolhe, tem algum critério?

 

Numa galeria expõe-se, antes de mais, os artistas de cujos trabalhos gostamos. Apostamos nos artistas consagrados e, por isso, tenho um espaço que é dedicado aos novos artistas para realizarem as suas exposições. Enfim, são oportunidades que damos aos jovens artistas.

 

Como encara os jovens que seguem a área das artes?

 

Positivamente, mas dou-vos um conselho: trabalhem muito! Há muita gente na área artística e não chega confiar no talento. O trabalho, muito trabalho é essencial.

 

artigo do grupo bombarte às 19:10
link do post | comentar | favorito
|

> 12ºJ - Esc. Sec. Filipa de Vilhena

> Julho 2008

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


> Links

> últimos posts

> Nós em notícia

> Fomos ao jornal Público!

> Ganhámos!

> Propostas

> Gatos e gatas

> BBI - Breve Bilhete de Id...

> BBI - Breve Bilhete de Id...

> MB na ESFV

> Socorro!

> Reportagem

> arquivo

> Julho 2008

> Junho 2008

> Maio 2008

> Abril 2008

> Março 2008

> Fevereiro 2008

> Janeiro 2008

> Dezembro 2007

> Pesquisa

 

> Circuito Cultural Miguel Bombarda

Free Image Hosting at www.ImageShack.us

» Mapa do Circuito Cultural Miguel Bombarda

(clicar na imagem ou no link para ver em tamanho maior)
RSS
RSS