Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Nós em notícia

Saiu o artigo no Púlico

Transcrevemos o arigoa que saiu no Público e que regista a conversa que
tivemos com o arquitecto Oliveira Dias. Gostamos! Aqui vai...

 

 

Todas as ideias disponíveis na Internet
02.07.2008, Patrícia Carvalho
 

Cinco alunos da Escola Secundária Filipa de Vilhena discutem com o arquitecto Filipe Oliveira Dias projectos para quarteirão das artes

 
O trabalho dos estudantes do 12.º J está disponível na Internet. Ali poderá descobrir as ideias criativas e não criativas que tiveram para a zona de Miguel Bombarda. Em breve, esperam publicar um roteiro da área, para saber mesmo tudo.
http://bombarte.blogs.sapo.pt
A Pingue-pongue. Ninguém deixa cair a bola e, por vezes, os estudantes nem esperam que o arquitecto Filipe Oliveira Dias dê uma resposta: esclarecem-se uns aos outros. Um grupo de alunos do 12.º J da Escola Secundária Filipa de Vilhena, no Porto, andou todo o ano lectivo a analisar a zona da Rua de Miguel Bombarda, avançando com propostas para o espaço. O projecto ganhou um 1.º prémio na iniciativa nacional Cidades Criativas, destinado, precisamente, a incentivar as escolas a envolver-se com as cidades onde estão inseridas, no âmbito da Área de Projecto. Cinco alunos, do grupo de 16 que integrou o projecto Bombarte, aceitaram trocar umas ideias com o arquitecto que tem, precisamente, um projecto para a requalificação da Miguel Bombarda. Afinal, ele até foi aluno na mesma escola.
"Eu andei na vossa escola." A frase de Filipe Oliveira Dias é acolhida com risos e uns "Ai, sim?" quase aliviados, como quem diz: "Ah, é um de nós". A Beatriz, a Mafalda, o Rui, o João e o Pedro tinham-se preparado para a conversa, mas uma frase quebra-gelo cai sempre bem. O arquitecto deixou que fossem eles a começar com as perguntas. E eles tinham muitas.
"É vantajoso fechar a rua ao trânsito que não seja prioritário?", quer saber a Beatriz. O projecto não é bem esse, explica o arquitecto: o trânsito que precisar de ir a Miguel Bombarda vai passar, mas num conceito de piso diferente, como se toda a área fosse um enorme passeio de peões. "Como em Cedofeita", percebe a Mafalda. É isso.
E, já que se falou em Cedofeita, a Mafalda aproveita: "Cefodeita tem muita luz, Miguel Bombarda não chama a atenção. De dia, tem um aspecto um bocado degradado. À noite, não tem luz nenhuma". O João volta ao tráfego. "O estacionamento vai ser proibido?" O arquitecto confirma. "Isso sim, excepto para cargas e descargas." Além disso, acrescenta Oliveira Dias: "A zona tem imenso estacionamento, que não está a ser usado a metade da sua potencialidade".
Mas a Beatriz desconfia que os portuenses, habituados a levar o carro quase até dentro das lojas, se conformem com a impossibilidade de o fazerem. O arquitecto aproveita para falar das cidades, da desertificação do Porto, dos preços caros da habitação, do abandono dos jovens, que partiram para a perifaria. Mas não se esquece da pergunta: "Muita gente começa a entender que a qualidade de vida passa por estacionar o carro e andar à vontade".
Então e a falta de hábito nacional de sair, andar na rua, quer saber o Pedro. Uma Miguel Bombarda requalificada é capaz de combater isso? Oliveira Dias responde com uma pergunta repetida a cada um: "Tu gostas de sair? E tu, gostas? Gostas?". Todos respondem que sim. "É uma questão de se criarem condições", defende o arquitecto.
A Beatriz não está convencida. "Criaram-se muito hábitos de shopping, com todas as facilidades que têm. Será que as pessoas se vão adaptar a não ter essas comodidades?", pergunta. Aqui, a Mafalda nem deixa o arquitecto responder à colega. "Mas também há muitos jovens, como nós, que começam a estar um bocado fartos e procuram coisas diferentes", diz, resolvendo a questão.
Então e a pequena criminalidade, pergunta o Pedo. "Ainda há muito medo à noite", justifica. "Isso tem muito que ver com a ausência de luz de que falavam", concorda Oliveira Dias, antes de concluir: "Esse problema desaparece assim que as ruas começam a ter vida própria".
Voltando às ideias para a zona, que foram pretexto para a conversa, o arquitecto gostou de quase todas as que o grupo do Bombarte propôs. A cobertura amovível fica de lado - as características dos prédios não o permitem. Mas levar a arte ao Hospital de Santo António (e, já agora, ao Centro de Saúde S. João, na própria Miguel Bombarda, sugere) é uma ideia "muito inteligente e interessante", que os estudantes "devem tomar a liderança de propor", defende Oliveira Dias. E envolver o Museu de Soares dos Reis nas inaugurações colectivas é também "excelente, uma grande ideia", defende. A ligação já foi, aliás, explorada no último sábado de inaugurações, no passado dia 14, explicam os estudantes, e será para repetir. Parece que há vida nas ideias.
 
 
Projecto de 1998 adjudicado com dez anos de atraso
 
02.07.2008
 
Por enquanto, é apenas um pequeno troço. Mas Filipe Oliveira Dias não tem dúvida de que a Rua de Miguel Bombarda há-de ser toda reabilitada. "Esse é o passo que a cidade vai discutir para a frente. Vamos dar este e, depois, daremos outros. A cidade, não tenho que ser eu", diz.
O projecto concebido pelo arquitecto Filipe Oliveira Dias, com uma intervenção artística de Ângelo de Sousa, engloba a Rua da Boa Nova e um pequeno troço da Miguel Bombarda, entre aquela artéria e a Rua de Adolfo Casais Monteiro. Pronto desde 1998, a expectativa era que a obra estivesse concluída a tempo da Capital Europeia da Cultura no Porto, em 2001, mas só recentemente a Câmara do Porto abriu concurso para adjudicar os trabalhos.
Os estudantes da Filipa de Vilhena estavam espantados. "Porque é que o projecto foi lançado há dez anos e ainda não se fez?", perguntou a Mafalda. A "inépcia", conforme lhe chamou Oliveira Dias, "é difícil de explicar em duas palavras". Mas ele tenta. "A política cultural, de forma transversal a várias equipas da câmara, nunca foi uma prioridade. E o projecto não nasceu como uma ideia municipal, da cabeça de um político que pudesse tirar dividendos da sua concretização", disse. Isto chega para explicar a espera? "Não sei se justifica", admitiu. Mas, à beira de ver o trabalho materializar-se, o arquitecto escolhe olhar para a frente: "O que importa é que sempre se acreditou neste projecto e nunca se desistiu".
A Câmara do Porto abriu concurso para adjudicar a obra em Abril último e o vencedor deve ser anunciado em breve. O prazo inicialmente previsto pela autarquia liderada por Rui Rio para anunciar quem ficaria com a adjudicação dos trabalhos era o final do mês do Junho e não é previsível que haja grandes atrasos apesar de, ontem, fonte do gabinete de imprensa da câmara ter dito ao PÚBLICO não haver ainda uma decisão. Seja como for, o início dos trabalhos está para breve e o prazo de execução é de seis meses, pelo que tudo poderá estar concluído até ao final do ano.
O projecto prevê que o troço requalificado em Miguel Bombarda seja vocacionado para peões, embora não se feche completamente ao trânsito. O conceito de "praça" que será dado a toda zona, associado à inversão do sentido do tráfego na área, levará a que "apenas os veículos que precisam de ir para Miguel Bombarda passem por lá", explicou o arquitecto aos estudantes da Filipa de Vilhena.
O estacionamento naquele local vai ser proibido e o mobiliário urbano incluirá bancos em granito e papeleiras. A iluminação será, também, substituída.
A pontuar o espaço estará o trabalho do artista plástico Ângelo de Sousa. O pavimento vai ser coberto por sete "tapeçarias em betão colorido" e, espalhadas pela zona, os visitantes poderão descobrir uma série de caras simples, em granito, traduzindo diferentes expressões.
Tudo isto não passa, para Oliveira Dias, da "primeira fase" de reabilitação. Da mesma forma que galeristas e comércio alternativo não se ficaram por aquele troço de Miguel Bombarda, também a requalificação se deverá expandir, defende. O segredo: "É um movimento imparável e não imposto por regras municipais".
10 - É o número de anos que tem o projecto de reabilitação do arquitecto Filipe Oliveira Dias e do artista plástico Ângelo de Sousa.
 
 
Um arquitecto, cinco estudantes e os colegas deles (todos cheios de ideias)
 
02.07.2008
 
Filipe Oliveira Dias, 44 anos
Arquitecto

Espaço favorito na cidade - Não tem dúvidas: "O centro, onde estou a viver e a trabalhar". Pouco antes, já informara que trocara "morar na Foz por viver no centro". Comprou um prédio e reabilitou-o.
Espaço favorito na Miguel Bombarda - Pois, não tem. Ou, melhor, tem: são todos. "O prazer que me dá atravessar a rua longitudinalmente. Todos os dias, descubro lojas e galerias que me convidam a entrar e que não são sempre as mesmas. É divertidíssimo. Há moda e objectos diferentes, coisas fantásticas."
Beatriz Lacerda, 17 anos
Estudante

De onde é - Porto.
O que quer ser - Dá-se bem com Miguel Bombarda: quer seguir design.
Espaço favorito na cidade - Pensa uns momentos, mas, quando responde, é como se a resposta estivesse sempre debaixo da língua: "É Serralves".
Espaço favorito na Miguel Bombarda - Aqui, não é mesmo preciso pensar por um minuto que seja e a resposta até sai em coro com a da vizinha Mafalda. "O Artes em Partes", diz, com um grande sorriso.
Rui Pinto, 18 anos
Estudante

De onde é - S. Mamede, Matosinhos.
O que quer ser - Ter ideias criativas para modificar as cidades vai continuar a fazer parte do seu dia a dia. Quer ser arquitecto.
Espaço favorito na cidade - Não é bem na cidade, mas as fronteiras também já não são o que eram. A eleita é a marginal de Matosinhos. Espaço favorito na Miguel Bombarda - No âmbito do projecto, andou a explorar os arredores da rua. No final de tanta pesquisa, não consegue seleccionar só um local, escolhe dois: a Galeria 111 e o Centro Comercial Bombarda.
Mafalda Moura, 17 anos
Estudante

De onde é - Porto.
O que quer ser - Fala muito, intervém, responde ao arquitecto e aos colegas. Quer tirar um curso de Som e Imagem.
Espaço favorito na cidade - Não vai muito longe dos espaços que percorreu no quarteirão das artes. A sua escolha é o Palácio de Cristal.
Espaço favorito na Miguel Bombarda - Pois, ela é a tal do coro com a Beatriz. Não costumavam frequentar a zona mas agora conhecem todos os cantos. "O Artes em Partes", ri.
João Alves, 18 anos
Estudante

De onde é - Porto.
O que quer ser - É um dos mais participativos do grupo e está sempre muito atento a tudo o que ouve. Espera entrar num curso de Design da Comunicação.
Espaço favorito na cidade - É solidário com o Rui. Passou a fronteira da Circunvalação e gosta da Marginal de Matosinhos. Ou do Parque da Cidade, pronto.
Espaço favorito na Miguel Bombarda - Escolhe duas galerias, as duas fora da rua: a Galeria 111 (D. Manuel II) e a Sala Maior (Adolfo Casais Monteiro).
Pedro Araújo, 17 anos
Estudante

De onde é - S. Mamede, Matosinhos.
O que quer ser - Se tudo correr como espera, vai seguir Design Industrial.
Espaço favorito na cidade - O Pedro fica mesmo no Porto, ainda que consiga espreitar Matosinhos. O local de que mais gosta é do Parque da Cidade.
Espaço favorito na Miguel Bombarda - São dois, mas ambos cheios de ofertas, de tal maneira que não sabemos se podem ser considerados apenas dois ou uma imensidão deles. Gosta do Artes em Partes e do Centro Comercial Bombarda.
De onde todos eles vieram - Escola Secundária Filipa de Vilhena

Os 16 alunos do curso de Artes Visuais envolvidos no Bombarte estudaram não só a Rua de Miguel Bombarda, como as artérias adjacentes, o Centro CCB e o Museu de Soares dos Reis. Os cinco conversadores eram apenas uma amostra dos estudantes que participaram em tudo isto. Aqui fica o nome dos restantes, porque as ideias também são deles: António Granja, Carolina Vieira, Daniela Mota, Gabriela Rocha, Joana Salgado, Joana Costa, José Rosa, José Dias, Romina Mendes, Vasco Lourenço e Gabriela Faria.
artigo do grupo bombarte às 09:36
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