Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

PORTO em Perspectiva

Uma opinião

Manuel Santos Maia, conhece bem a cena artística portuense, sobretudo no domínio da arte contemporânea. Em Dezembro de 2007, respondeu a duas questões colocadas pela revista ARTE & LEILÕES. Como nos ajudam a pensar a cidade, e portanto a zona que estudamos, transcrevemos do seu blog a sua opinião.

A & L - Que opinião tem sobre o actual panorama artístico da cidade (no domínio da arte contemporânea)?

Manuel Santos Maia - Parafraseando o poeta e pintor Álvaro Lapa, num artigo do jornal Público, nos anos 90, respondo à questão, com a resposta que deu título ao artigo: “O artista sente-se mal”.

O artista sente-se mal num país que menospreza a cultura, “que não conhece que alma tem / nem o que está mal nem o que é bem” onde “tudo é incerto e derradeiro / tudo é disperso, nada é inteiro.”, sente-se mal numa cidade (des)governada que segue o país no que respeita à ausência de uma politica cultural e destrói o pouco que foi edificado num passado recente como por exemplo o Porto 2001, Capital Europeia da Cultura. Este é apenas um dos exemplos que comprova haver público para a arte contemporânea, um público que é merecedor de uma programação com qualidade e exige uma efectiva política cultural. Depois de 2001, a nível cultural, o Porto distanciou-se do arquétipo de uma cidade europeia. Relativamente à arte contemporânea, com a eliminação de espaços expositivos como o do Teatro Campo Alegre ou a anulação da Galeria do Palácio, há a contabilizar apenas a programação trimestral do Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves, as três exposições anuais da Culturgest Porto, as programações das diversas galerias, (algumas das quais, passaram a apresentar uma programação secundária na galeria do Porto, com a abertura de espaços em Lisboa,) e a intensa actividade de mais de vinte e cinco artistas que, desde 1999, têm apresentado com regularidade, em diversas exposições, mostras e eventos o seu trabalho e o trabalho de mais de uma centena e meia de criadores. Poderemos ver pela acção destes artistas, uma necessidade de colmatar falhas, de contrariar e inverter a situação cultural da cidade, contribuindo com a criação de uma programação alternativa e complementar ao circuito artístico comercial e institucional e salientando a ausência de uma politica cultural.

Enquanto dinamizadores de espaços, de exposições, de projectos de intervenção artística, de eventos (1); artistas como: Paulo Mendes, Rita Castro Neves, João Sousa Cardoso, Eduardo Matos, Mafalda Santos, Susana Chiocca, Isabel Ribeiro, Inês Moreira, Carla Filipe, Renato Ferrão, André Sousa, Miguel Carneiro, Marco Mendes, Aida Castro, Nuno Ramalho, Isabel Carvalho, António Lago, Jonathan Saldanha, Carla Cruz, Pedro Nora, João Marrucho, Catarina Felgueiras, Maria Mir, Alexandre Costa, entre outros, afirmam a autonomia do artista enquanto criador e enquanto responsável pela exibição da sua obra (artistas-comissários ou organizadores), propondo formas alternativas de apresentar publicamente o seu trabalho, de agir no campo da arte e intervir no panorama artístico.

A & L - O que poderá mudar no futuro?

Manuel Santos Maia - Se os senhores do poder mudarem, se existir uma política cultural, se os responsáveis pelos espaços expositivos institucionais forem competentes, sérios, empenhados e tiverem força e vontade suficiente para resistir a tudo o que os desvie dos objectivos das suas funções e responsabilidades, se os diversos agentes do sistema artístico realizarem um bom trabalho, se tivermos como referência a experiência do Porto 2001, de Serralves e dos muitos dos artistas-comissários, anteriormente citados, entre os quais destaco o artista-comissário Paulo Mendes; certamente poderemos contar com um melhor panorama artístico, teremos melhores criadores, agentes artísticos mais (in)formados e competentes, públicos mais exigentes e, num futuro, o Porto poderá ambicionar ser uma capital cultural europeia. No o futuro, muito poderá mudar. Mas hoje, (porque quem tem a responsabilidade e o dever de fazer, não o fez e não faz), ainda, há muito por fazer. Como pessoa clamou: “É a Hora!”

Aconselhamos a consulta do blog http://manuelsantosmaia.blogspot.com/ onde se registam espaços, eventos e projectos artísticos que importa conhecer.

artigo do grupo bombarte às 15:39
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